VAREJO BAIANO | COMÉRCIO – MAIO 2026
VAREJO BAIANO CRESCE 2,1% EM MAIO, SUSTENTADO POR ESSENCIAIS E COMBUSTÍVEIS, APONTA FECOMÉRCIO BA
Grupo “outras atividades”, que inclui o comércio de combustíveis, foi o maior contribuinte do mês; segmentos dependentes de crédito seguem em queda diante da Selic elevada
O faturamento do varejo baiano somou R$ 20,6 bilhões em maio, crescimento de 2,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Fecomércio BA, elaborado com base em dados do IBGE. Em termos reais, o setor movimentou cerca de R$ 427 milhões a mais do que em maio de 2025. O resultado reforça o padrão observado ao longo do ano: um varejo que avança em ritmo moderado, sustentado pelos segmentos essenciais e, neste mês, impulsionado por um componente conjuntural ligado aos combustíveis.
A maior contribuição para o resultado de maio veio do grupo de outras atividades, que cresceu 11,5% na comparação anual e adicionou cerca de R$ 419 milhões ao varejo baiano — o maior valor para o mês desde 2016. O desempenho é fortemente influenciado pelo comércio de combustíveis, que integra esse grupo, e reflete a alta dos preços decorrente das tensões geopolíticas e da guerra no Irã, repassada ao consumidor do estado. Ainda que os preços tenham recuado em junho, permanecem acima dos observados no ano passado, o que deve manter a contribuição positiva desse segmento nos próximos meses — movimento que tende a se reforçar diante da reescalada do conflito e de nova pressão sobre o preço internacional do petróleo.
Na mesma direção positiva, os setores básicos de consumo seguiram sustentando o varejo. Os supermercados avançaram 2,8% e faturaram R$ 7,8 bilhões, adicionando cerca de R$ 216 milhões ao comércio estadual. As farmácias e perfumarias cresceram 5,5%, com faturamento de R$ 1,66 bilhão — o maior valor para o mês de maio em toda a série histórica, iniciada em 2011. A força persistente desses segmentos confirma que as famílias baianas seguem priorizando os gastos essenciais do dia a dia, movimento acompanhado pela Fecomércio BA ao longo dos últimos meses.
Entre os demais destaques, os materiais de construção voltaram ao campo positivo, com alta de 1,9%, após a retração de 7,1% registrada em abril. Já o setor de veículos, motos, partes e peças ficou praticamente estável na comparação anual, interrompendo a sequência de quedas mais acentuadas do início do ano, ainda que sem sinais de recuperação consistente.
No campo negativo, as maiores retrações vieram dos bens mais dependentes de crédito. As lojas de eletrodomésticos e eletrônicos recuaram 17,1% e as de móveis e decoração caíram 18,5%, com perdas de R$ 156 milhões e R$ 83 milhões, respectivamente. Parte dessas quedas é acentuada pela base de comparação elevada: em maio de 2025, esses segmentos haviam crescido 9,8% e 6,8%, respectivamente. O setor de vestuário, tecidos e calçados manteve a trajetória de queda, com recuo de 10,9%, pressionado tanto pelo crédito caro quanto pela forte concorrência do comércio eletrônico.
No acumulado do ano, de janeiro a maio, o varejo baiano cresce 1,4%, com faturamento de R$ 99,2 bilhões e ganho real de aproximadamente R$ 1,37 bilhão. O avanço é sustentado, sobretudo, pelo grupo de outras atividades (+R$ 1,35 bilhão), pelos supermercados (+R$ 999 milhões) e pelas farmácias e perfumarias (+R$ 376 milhões). No sentido oposto, as maiores perdas do período estão concentradas nos setores de veículos, motos e peças (−R$ 616 milhões) e de vestuário, tecidos e calçados (−R$ 443 milhões), que segue como o segmento de pior desempenho relativo, com queda acumulada de 13,4%.
O quadro reforça o diagnóstico que a Fecomércio BA vem apresentando: a manutenção da taxa Selic em patamar elevado continua a limitar o consumo de bens de valor mais alto, que dependem de financiamento e comprometem a renda das famílias por períodos mais longos. Somam-se a isso a perda de poder de compra diante da inflação mais alta e o encarecimento do crédito, fatores que explicam a fragilidade persistente dos segmentos de duráveis. A Entidade reitera o alerta quanto aos efeitos negativos dos juros altos sobre a atividade econômica e reforça a necessidade de que o ciclo de queda da Selic seja retomado de forma mais consistente.
Assim, embora maio tenha registrado crescimento e contado com o reforço conjuntural dos combustíveis, o varejo baiano segue operando em ritmo moderado, sustentado pelo consumo essencial e limitado pelo ambiente macroeconômico do país. A tendência, para os próximos meses, é de continuidade da concentração de gastos nos segmentos básicos, como supermercados e farmácias, enquanto os setores mais dependentes de crédito e renda disponível devem seguir enfrentando maior dificuldade para acelerar as vendas.