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VAREJO BAIANO | COMÉRCIO – MARÇO 2026

Área do Conhecimento, Pesquisas, Varejo Baiano
5 de junho de 2026

COMÉRCIO BAIANO DISPARA 10,1% EM MARÇO, APONTA FECOMÉRCIO BA

Efeito calendário impulsiona resultado do mês, mas crescimento do bimestre segue moderado diante dos juros elevados e da inflação recente.

O faturamento do varejo baiano somou R$ 20,7 bilhões em março, crescimento de 10,1% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo levantamento da Fecomércio BA, elaborado com base em dados do IBGE. Em termos reais, o setor movimentou cerca de R$ 1,9 bilhão a mais do que em março de 2025.

O forte avanço apresentado no mês deve ser analisado com cautela, já que parte relevante desse crescimento decorre do efeito calendário. Em 2026, o Carnaval ocorreu integralmente em fevereiro, enquanto no ano passado parte das vendas relacionadas ao período festivo ficou concentrada em março. Dessa forma, março deste ano foi um mês cheio para o comércio, favorecendo o desempenho do varejo.

Apesar da alta expressiva em março, uma análise mais adequada do ritmo de crescimento do varejo baiano pode ser observada no acumulado do bimestre fevereiro-março. Considerando os dois meses em conjunto, o comércio do estado registrou crescimento de 3,6% em relação ao mesmo período do ano passado, com ganho real de aproximadamente R$ 1,3 bilhão. O resultado mostra que, embora o cenário siga positivo, o desempenho ainda permanece moderado.

Entre os segmentos com maior contribuição para o crescimento de março, destaque para o setor de veículos, motos, partes e peças, com crescimento de 17,5% e ganho de R$ 616 milhões. Chama a atenção também o grupo de outras atividades, com alta de 16%, gerando incremento de R$ 568 milhões no faturamento do varejo baiano, muito impulsionado pelo aumento no preço dos combustíveis, em decorrência da guerra no Irã, e com influência no comércio de combustíveis. Em seguida aparece os supermercados, que avançaram 4,9% e adicionaram cerca de R$ 360 milhões ao comércio estadual.

Seguiram na linha positiva em março os segmentos de materiais de construção, com crescimento de 14,2%; farmácias e perfumarias, com alta de 11%; e lojas de eletrodomésticos e eletrônicos, que avançaram 5,7% na comparação anual.

No campo negativo, o principal destaque continua sendo o setor de vestuário, tecidos e calçados, que registrou queda de 7,1% em março e retração acumulada de 15,6% no bimestre. O segmento segue enfrentando um ambiente de forte

concorrência com o comércio eletrônico. Por isso, a Fecomércio BA se posicionou de forma contrária a volta da isenção da chamada taxa das blusinhas.

Outro setor que segue apresentando fragilidade é o de móveis e decoração. Apesar da leve alta de 3,2% em março, o segmento ainda acumula queda de 5,5% no bimestre, refletindo as dificuldades impostas pelo crédito elevado e pelo encarecimento do financiamento ao consumidor.

Mesmo com o resultado positivo de março, o ambiente econômico segue desafiador para consumidores e empresários. Os juros permanecem elevados, limitando o consumo de bens de maior valor agregado e reduzindo o ímpeto de expansão das empresas. Além disso, a recente aceleração da inflação, influenciada pelo aumento das tensões geopolíticas e pelos impactos da guerra no Irã sobre os preços internacionais do petróleo, pode pressionar ainda mais o orçamento das famílias nos próximos meses.

Com isso, a tendência é de continuidade da concentração dos gastos nos segmentos considerados essenciais, como supermercados e farmácias, enquanto setores mais dependentes de crédito e renda disponível devem seguir enfrentando maior dificuldade para acelerar as vendas.

Portanto, embora março tenha apresentado um desempenho bastante favorável, os números do bimestre indicam que o varejo baiano ainda opera em ritmo de crescimento tímido, sustentado principalmente pelo consumo básico e limitado pelo atual ambiente macroeconômico do país.

VAREJO BAIANO | COMÉRCIO - MARÇO 2026
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