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DADOS DE INFLAÇÃO TRAZEM ALÍVIO PARA O BRASIL EM MEIO A GUERRA COMERCIAL, AVALIA FECOMÉRCIO BA.
Preços ficaram estáveis em julho e alimentos recuaram -0,56%.
Os dados da inflação na região metropolitana de Salvador têm surpreendido positivamente nos últimos meses, aliviando um pouco o cenário para a economia baiana diante da guerra comercial com os Estados Unidos. Segundo o IBGE, os preços médios de produtos e serviços permaneceram praticamente estáveis, com variação de 0,02% em julho e acumulando 5,06% nos últimos 12 meses.
O grupo que mais colaborou para a desaceleração dos preços foi o de alimentação e bebidas, que representa 23% do índice geral e registrou deflação de -0,56%. As maiores quedas foram observadas na manga (-22,60%), no maracujá (-21,95%) e na cebola (-15,57%). Outros itens importantes na mesa do brasileiro também seguiram a tendência de baixa, como o feijão-rajado (-4,24%) e o arroz (-2,5%). O café moído, que vinha resistindo, apresentou recuo de -0,30% em julho.
A redução nos preços médios dos combustíveis — gasolina (-3,86%) e etanol (-4,58%) — foi essencial para a queda de -0,44% no grupo transportes. A situação só não foi mais positiva devido ao aumento das passagens aéreas (21,27%), esperado para o período de férias escolares, mas que não deve manter a pressão nos próximos meses.
O grupo vestuário também contribuiu para uma inflação mais baixa em Salvador, com retração mensal de -0,71%. Outras variações negativas foram registradas nos grupos artigos de residência (-0,52%) e comunicação (-0,12%). Por terem peso relativamente pequeno no índice geral, o impacto foi quase nulo.
Por outro lado, o destaque negativo foi o grupo despesas pessoais, que registrou alta de 1,19%. O principal fator foi o reajuste no valor da aposta da Mega-Sena, que passou de R$ 5 para R$ 6, gerando aumento médio de 11,17% nos jogos de azar. Trata-se, porém, de uma pressão pontual e não permanente, que não preocupa na avaliação da inflação. Além disso, as hospedagens ficaram 2,46% mais caras, também influenciadas pelas férias.
O grupo saúde e cuidados pessoais teve elevação de 0,65% em julho, puxada principalmente por produtos de higiene e beleza, como desodorante (3,32%), produtos para pele (2,50%) e artigos de maquiagem (2,14%).
Já a alta no preço médio da energia elétrica residencial (2,08%) contribuiu para que o grupo habitação registrasse aumento de 0,47% no mês. O grupo educação apresentou elevação de 0,08%.
Apesar de alguns aumentos mais expressivos, a avaliação da Fecomércio BA é de que são casos pontuais e não estruturais. Por outro lado, observa-se uma tendência positiva para os preços dos alimentos nos próximos meses, o que deve reduzir a pressão inflacionária e possibilitar que o acumulado retorne mais rapidamente ao patamar abaixo de 5%.
Naturalmente, uma eventual intensificação da guerra comercial poderia comprometer esse cenário favorável, mas, no momento, os dados apontam para melhora no poder de compra das famílias e manutenção do consumo no varejo em nível positivo, mesmo com juros elevados.
Outro fator importante é que, com o tarifaço, o dólar tem perdido valor em relação à cesta de moedas no mundo, enquanto o real se fortalece, favorecido pela alta taxa de juros. Essa valorização contribui para reduzir a taxa de câmbio e, consequentemente, conter ainda mais a inflação no Brasil.
Assim, a inflação na região metropolitana de Salvador vem se mostrando melhor do que o esperado, ajudando de forma expressiva a economia local, mas ainda requer atenção diante dos possíveis reflexos das tensões comerciais globais.

